Rede Afrobrasileira Sociocultural
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FORMA DE APRESENTAÇÃO E DE TRABALHO
Companheiros espirituais ainda pouco conhecidos na Umbanda, os Caboclos Africanos são entidades fortes, fiéis e muito alegres. Eles vieram das profundas selvas africanas, dos antigos quilombos brasileiros e das distantes ilhas do Caribe.
Quando chegam no terreiro soltam seus gritos de guerra: “Huia!”, “Huhuia!”, “Hui!”. Gostam de trabalhar com bom charuto, cachimbo, pembas coloridas e ervas medicinais. Tanto os Africanos como as Africanas são de rodar velozmente, enquanto movem os braços compassadamente, depois de várias voltas, dançam sozinhos ou acompanhados, alguns vão pra frente e pra trás, enquanto outros um pouco encurvados fazem passos parecidos com o samba; outros ainda de lado a lado. Enquanto dançam, é comum ver que não se despregam de “garrafa” de bebida ou de um copo de barro que contém a bebida, ao mesmo tempo em que dançam, estão fumando e bebendo.
A sensação é que estamos falando com um Preto Velho, mas sem a presença do banquinho e das palavras doces. Os Caboclos Africanos usam linguagem mais firme, expressões mais coloridas e palavras menos simbólicas. Vão direto ao assunto. O povo Africano está composto em sua totalidade por espíritos de negros escravos provenientes das zonas Bantus, Moçambique, Angola e Congo, que é de onde vem os primeiros grupos de escravos trazidos pelos portugueses, não existem “Africanos Nagôs”, “Africanos Yorubanos”, nem “Africanos Fon ou Jeje”.
Os Africanos parecem uma mistura de Exu, Caboclo e Preto Velho mandingueiro, tudo junto.
Excelentes combatentes, guerreiros do Axé e da luz, muito invocados para desmanchar demandas e feitiços. Eles conhecem os mistérios da ciência da M’pemba (pemba), a qual utilizam no corte das energias negativas com muita destreza. Também usam fubá de milho, carvão, farinha e café para desenhar seus Pontos no chão. Nas giras não dispensam a fabricação de patuás, amuletos e outras mandingas de tradição para ajudar os necessitados.
Costumam dividir-se espiritualmente em sólidas famílias ou clãs como na Mãe África. A mais conhecida é a dos “Arranca”, grupo arredio de lutadores das matas, que literalmente arrancam as mazelas e miasmas astrais dos lugares e pessoas.
Seus integrantes mais conhecidos são: Arranca Toco, Arranca Cruzeiro, Arranca Pemba, Arranca Estrela, Arranca Caveira, Arranca Pimenta, Arranca Cobra, Arranca Feitiço, Arranca Calunga, Arranca Sepultura e Arranca Folhas.
Esta família é predominantemente masculina e não devemos confundir os “Arranca” Africanos com seus irmãos nativos brasileiros que também possuem o nome Arranca (Caboclo Arranca-Toco, por exemplo).
A magia dos felinos está bem representada na pessoa do poderoso Pantera Negra Africano e sua Falange. Outros Caboclos Africanos trabalham sob o estandarte da Família Malê, como os Africanos Mussurumi, Lele Mussurumi e Assumano.
Na Família dos guerreiros Congos e Angolas estão os Africanos: Azambuja, Calungueiro, Macalé, Mezala e Zambará. A chefia da tropa está sob a liderança de Pai Simão Africano, como dizem os mais velhos.
As Caboclas Africanas são autênticas amazonas. Mulheres que lutavam com facão, lança e porrete ao lado dos homens. As mais famosas, que ainda baixam nas giras, são: Africana Rosa, Africana Maria, Africana Rosária e Africana Matamba.
Detalhe interessante: o culto aos Caboclos Africanos é mais popular no sul do Brasil, Argentina e Uruguai, regiões que receberam grande influência da cultura do negro Bantu. Terreiros de Umbanda Cruzada do Rio Grande do Sul, que trabalham com a tradição do Batuque, conhecem bastante as mirongas destas entidades.
Liturgia: Cores simbólicas (para velas, panos e toalhas de oferendas): vermelho, branco, preto e roxo, possuem bastante influência dos Orixás Ogum e Omulu (Orixá que rege o Povo Africano).
Acessórios de gira: costumam vestir, sempre que o Terreiro permite, chapéu de palha, lenços no pescoço, colares (guias de trabalho) e lenços na cabeça (Africanas).
BEBIDAS QUE SE OFERECEM
Os Africanos são Entidades cujos gostos variam de acordo com o tipo de falange a que pertencem, não existe uma bebida única e geral que seja do agrado de todos. É melhor sempre que o próprio africano incorporado em seu médium seja quem peça a bebida que serve melhor para seus trabalhos espirituais.
A bebida mais aceita e oferecida nas “giras de Africano” são os vinhos, sendo mais popular o vinho tinto, geralmente aceito por todos (quando não existe outra opção). A bebida que segue a popularidade é o marafo (cachaça). Logo, existem diversas combinações feitas à base de marafo ou do vinho, de acordo com a Entidade:
- Vinho tinto, Vinho Branco, Cachaça;
- Vinho tinto com pimenta malagueta moída;
- Vinho tinto com Ají (pimenta) moída, pólvora e uma pitada de sangue,
- Vinho claro com uma pitada de pólvora e Ají;
- Cachaça com pólvora, pimenta malagueta, sangue, pó de pemba;
- Cachaça com ervas maceradas;
- Vinho com ervas maceradas.
As Africanas, gostam de beber Sidra, Vinho com mel, cachaça com mel ou vinho com ervas, ainda que também aceitem estas bebidas puras (sem mistura).
O TABACO
As Entidades catalogadas como “Africanos” são Espíritos dos primeiros escravos que chegaram ao Brasil, especificamente daqueles que em vida foram grandes feiticeiros ou curandeiros. Eles já conheciam na África uma variedade de ervas que eram usadas para fumar em seus rituais. Ao chegar ao Novo Mundo, optam pelo uso da planta do tabaco, que era usada também pelos Pajés indígenas para seus transes. Os primeiros Africanos não tiveram muito contato com os índios, pois eles foram trazidos para que os indígenas não fossem submetidos aos trabalhos pesados nas plantações por pedido expresso dos “missionários”, o que não permitiu conhecer o cachimbo (pipa) que é uma invenção dos povos indígenas. Por tal motivo, o “Povo Africano” em geral fuma charutos, ainda que aceitem também cigarros de “tabaco negro e fumo de corda”, uma raridade que o Africano fume cachimbo; este implemento é usado principalmente pelos Pretos Velhos, que em sua maioria descende dos Africanos e que aprenderam bastante da cultura local pelos anos e gerações em cativeiro.
DIA DE FESTA ANUAL
O dia em que se realiza o festejo anual para o Povo Africano é o dia de São João, 24 de Junho, comemorando-se com grandes fogueiras, mesas fartas de bebidas e comida que logo se reparte entre a assistência. De acordo com o sincretismo, alguns Terreiros de Umbanda festejam no dia de São Cipriano (Padroeiro do Povo Africano), 16 de setembro. Outros realizam em ambas as datas.
No dia 24 de Junho, se costuma fazer uma grande fogueira. Logo, os Africanos que estão presentes, passam caminhando por uma trilha cheia de brasas em vermelho vivo, uma demonstração de seu poder sobre o domínio do fogo.
DIA DA SEMANA
O dia da semana que se dedica ao Povo Africano é Segunda-feira.
ORIXÁ QUE REGE SOBRE ESTE POVO
O Orixá eu comanda esse povo é Omulu.
Alguns confundem os Pretos Velhos com esse Povo, inclusive se mesclam por também ser um Povo integrante da linha das Almas, mas deve-se deixar claro que os Pretos Velhos integram a Linha das Almas como falange ligada a Obaluaê.
COLARES (GUIAS)
As guias que são usadas pelos Africanos são colares de dentes de animais. Ainda que, quando o médium não pode conseguir um colar desse tipo utiliza uma guia de miçangas inteiramente vermelha.
COMIDAS QUE OFERECEM
- Feijoada
- Farofa feita com toicinho, azeite de dendê, ovo e sal;
- Ovos cozidos polvilhados com pimenta branca;
- Lingüiça e carne seca;
- Pirão;
- Canjica cozida com carne de porco, verduras e sal;
- Frango ou galinha de angola assada, cuja carne seja produto do sacrifício oferecido a estas Entidades;
- Recebem também diversas classes de frutas, dependendo do gosto de cada Entidade, as mais populares são as bananas.
ANIMAIS
Dentro da Umbanda tradicional, estas Entidades diretamente não chegam, fazem na Umbanda com influência africana ou “cruzada com kimbanda”, em Casas de Omolokô e até mesmo Angola e Almas, que aceitam o sacrifício de animais e antigamente eram denominadas “macumba”. Existem casas que oferecem até animais de quatro patas aos Africanos, no entanto, o mais popular é oferecer unicamente frangos de cor escura, de preferência preta. Igualmente me parece interessante oferecer uma lista dos animais que se podem oferecer:
- Porcos;
- Carneiros;
- Galinhas de angola;
- Frangos, galinhas ou galos escuros.
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Permalink Responder até josé rodolfo ramos de souza em 1 outubro 2012 at 10:23
axé,
não conhecia
muito obrigado pela informação muito útil para nosso conhecimento
Iniciado por Gipsy Red Rose Designs. Última resposta de unjimoyé 3 horas atrás . 42 Respostas 0 Curtiram isto
Iniciado por Alexandre de Oxalá - Baba Alaíyé. Última resposta de Alexsander Carvalho 4 horas atrás . 19 Respostas 2 Curtiram isto
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